Eu Era tudo para ela e ela me deixou.
Esta é uma peça que está passando no Teatro Faap, e consiste em um diálogo, teoricamente falando, pois a peça é composta por apenas dois artistas porém, por 10 personagens o qual 9 deles são feitos por um único ator, Marcelo Médici.
É impressionante a rapidez com que o ator troca suas roupas, e sua capacidade interpretativa de vários personagens com características totalmente diferentes. Este foi um dos pontos que mais me deixou com expectativas positivas ao decorrer da apresentação.
Em suma, a peça se trata de um personagem central, interpretado por Ricardo Rathsam, que acaba de se divorciar de sua mulher, e é expulso de casa por ela, junto de seu jabuti. Ele então liga para sua mãe, que aparentemente não se importa muito com ele, e pede para passar algum tempo em sua casa, porém ela está indo viajar com as amigas e diz que um segurança irá ficar tomando conta da casa pois um estuprador perigoso está tomando conta da cidade.
Todos os personagens fazem ponto a certo estuprador que esta rondando solto por ai.
Sem ter para onde ir, o solitário divorciado, procura um lugar para ficar e vai então até a casa de um colega de trabalho pedir abrigo, porém, diga-se de passagem que ele é um antissocial no escritório e não tem amizade com ninguém de seu trabalho, seu colega então, jogando tudo isso em cima dele, não o deixa ficar de jeito nenhum.
No meio do caminho ele encontra um hotelzinho bem ruim e decide ficar hospedado nele por não ter dinheiro para pagar um hotel de verdade. A recepcionista do hotel, uma latina desonesta, rouba então todo seu dinheiro em troca de uma cama para dormir, porem ao chegar em seu quarto ele percebe que não esta sozinho, seu companheiro de quarto, com apenas uma cama, é um presidiário armado, que fugiu da cadeia.

Desesperado com a situação ele sai em busca de uma solução, senta-se numa mesa de bar com um desconhecido que também esta emocionalmente abalado, e então ocorre uma troca, seu jabuti, por uma arma. Sentindo-se protegido, ele volta ao hotel, e se depara com um estranho, que não é seu “colega de quarto” em seu quarto, o sujeito diz então que é amigo do fugitivo da prisão, o qual também deve ser um ex presidiário. Ao ir buscar uma pizza na recepção, ele discute com o entregador, e é morto. Ele sai então do hotel levando suas malas, e sem ter para onde ir, fica parado na rua a espera de uma resposta, quando um prostituta chega nele e pergunta se ele gostaria de um dos serviços dela... ele topa apenas por precisar de alguém pra conversar, eles vão a um lugar reservado que ela indicou, e ao começar a contar de sua vida, Samuel percebe que a mulher sente-se abalada e a incentiva de contar de sua vida, e ao decorrer da historia ela percebe que sua vida foi tão ruim que não havia o porque continuar vivendo, a prostituta então pula pela janela e se mata.
Desnorteado, Samuel vai para a rua sem destino novamente, e ao parar em frente a uma casa noturna, se depara com o seu “colega de trabalho” vestido de Drag Queen. Eles começam a conversar e em troca do silêncio de Samuel com relação à vestimenta de seu companheiro de trabalho, ele da a chave de sua casa para que ele pudesse se hospedar lá.
No ponto de ônibus indo para a casa do amigo, havia um velho de cadeira de rodas, Samuel pega então o cachecol, e enforca o inocente velho, desvendando assim que o tempo todo, ele que era o perigoso personagem que rondava pela cidade.
Ao final da apresentação podemos ver no telão a imagem de sua mala de viagem que ele não largava um minuto, e dentro dela havia o corpo de sua ex mulher!
Estranho Casal
Esta é uma peça com o ator Carmo Dalla Vechia, achei a peça bem divertida e garantiu bastantes risadas, a única coisa que não me agradou foi a duração do espetáculo, muito longo e desnecessário tamanha demora.
A peça aborta bem a diferença de personalidade de dois homens divorciados, um bem esculachado, desorganizado, tanto consigo, quanto quando o assunto a ser tratado é sua família. Não se importa com a ex mulher e muito menos com os filhos...
Já o outro, recém-divorciado, ama sua mulher, tem admiração por ela, e ama seus filhos mais que tudo, visita-os todo dia.
Pode-se dizer que é um impasse entre o certinho e o desajeitado.
Ao se divorciar, o certinho passa então a morar com o desorganizado, e quer então botar ordem em toda sua casa, na sujeira, na falta de comida e falta de cuidado.
O amigo esculachado vive reclamando das coisas boas que ele faz, da limpeza de mais, das comidas gostosas, mas o outro não deixa de fazer.
Consegui perceber que a moral da historia que a peça quer passar, é que você só sente falta de alguma coisa, quando você perde ela.
Pois depois que o amigo certinho de mais é expulso da casa, o outro passa então a sentir falta dos hábitos de limpeza e de tudo mais que ele fazia, refletindo então toda a convivência em seus atos, sem nem perceber.
O cenário da peça se passa inteiro dentro do apartamento dos divorciados, sendo que eles conseguem passar bem a ideia de sujeira e de organização em um mesmo lugar.