27 de set. de 2011

"As Eruditas" e "Os Saltimbancos"

> As Eruditas
Fui assistir a peça As Eruditas porque um dos atores é amigo da família, Gustavo Ottoni e ele  me convidou para ir ao Teatro Brigadeiro.
                A peça original é de Molière e essa versão tem tradução de Millôr Fernandes, o que mantém a qualidade da tradução e do texto. Os atores são todos muito bons, eles conseguem prender a atenção da platéia e tiram altas gargalhadas o tempo todo. É tipicamente uma comédia.
A história é sobre uma família (Filomena e Crisaldo) e em especial, duas irmãs. Uma, Amanda, ama as artes, literatura e filosofia (como sua mãe e tia), enquanto que a outra, Henriqueta,  quer  casar e ter filhos. A mãe, Filomena, resolve casar a filha que não gosta das artes com Tremembó, um cara que finge ser poeta mas na verdade, só quer o dote. Henriqueta, por sua vez, quer casar com Cristóvão, um homem simples que já foi rejeitado por Amanda. Além disso, o pai, Crisaldo, faz todas as vontades da mulher porque não tem coragem de enfrentá-la, porém, como ele faz gosto do casamento da filha com o Cristóvão e não gosta do Tremenbó, ele resolve que é hora de enfrentar a mulher.
Enfim, é uma grande história de amor, brigas de família, trapaças, filosofia e artes... Tudo com muito bom humor e cacos. Percebe-se que os atores estão com as piadas bem ensaiadas. A direção é de José Henrique.
Curiosamente, no dia em que eu fui ver a peça, foi também uma escola pública e, provavelmente, era a primeira vez que a maioria dos estudantes foi ao teatro. A peça ganhou, então, outro rumo, porque a cada piada, a platéia ria incondicionalmente. Conversando com o Gustavo, ao final do espetáculo, ele nos contou que a animação foi percebida nos bastidores.
É legal ver como o teatro pode ser para todos e como uma platéia animada contagia a peça e transforma um programa divertido em um inesquecível.

> Os Saltimbancos
             Eu e Rodrigo fomos assistir Os Saltimbancos porque ele nunca tinha visto e eu amo, desde pequena.
               A gente chegou em cima da hora, mas a tempo de sentar com as luzes acesas. As crianças gritavam e se empurravam e se batiam enlouquecidamente – mas eu já tinha ligado o botão criança na minha cabeça.
              O espetáculo começou com os atores cantando pelos corredores do teatro, subindo em direção ao palco e cantando uma música que eu não conhecia (não fazia parte da trilha original); já não gostei. Até que eles saíram e entrou o Jumento. Não era O Jumento, mas ok, era um jumento. Eu sabia que o MEU Jumento não ia ser. Mas aí veio o primeiro erro: ele não cantou sua música toda.  Cantou só uma parte. 
                Veio o Cachorro (esse sim, bem legal, engraçado, cara boa. Era quase o MEU Cachorro) e também e não cantou sua música inteira – segundo erro. Eu já estava bem irritada.
                Na vez da Galinha, eu já não esperava mais nada, o que viesse estava bom. E veio uma Galinha bem mais ou menos que também não cantou sua música dela inteira. Ao longo da peça ela me irritou inúmeras vezes pois, tinha um ar meio cômico... mas não era natural.
                Até que o último animal, a Gata, resolveu cantar a música inteira, com as duas partes e as repetições do refrão. Lindo, se não fosse as variações de voz que ela fazia. Mas mesmo com a música inteira, veio mais um erro: ela e o Cachorro não brigaram!!! Sei lá, vai ver que no mundo pós-moderno e politicamente correto, não cai bem dois animais de espécies diferentes brigarem, não se deve poder ensinar isso para as crianças. E lá se foi uma das imagens mais clássicas dos Saltimbancos da minha infância (eu esperava ansiosamente pela hora que a Gata entrava em cena, cantava e, no fim, o Cachorro saía atrás dela latindo que nem um louco e o Jumento, o “chefe”, fazia as pazes dos dois).
                A peça continua cheia de erros, contando um pouco da história original e um pouco da história atual das crianças, talvez para atrair a atenção delas, sei lá. O fato é que na hora que o Jumento junta os animais para fazer um teste e ver o quão eles cantam, em vez de ser um desastre (como era na minha época), é um mix de músicas do momento com cenas metidas a engraçadas.
               Preciso nem dizer que eu não gostei, né?

obs: mostro os dois ingressos pessoalmente!
Carolina Spalding

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