Henrique Gaspar
A exposição New Ads for São Paulo, do alemão Franz Ackermann, propõe preencher os espaços em branco da paisagem paulistana. A mostra acontece simultaneamente no Galpão e na Galeria Fortes Vilaça trazendo uma mescla de formas geométricas coloridas, desenhos feitos a lápis e fotografias.
Entrevista com Franz Ackermann concebida pelo O Estado de S. Paulo.
Como foi a concepção da mostra?
Sempre tive uma relação com a arquitetura, com a vida urbana daqui. Esta é uma enorme exposição sobre minha experiência com a cidade.
Você morou dois meses aqui. Como essa experiência influenciou a mostra?
Eu decidi, muito radicalmente, mudar todo meu estúdio de Berlim para São Paulo. Trouxe minha equipe da Alemanha e nós pintamos aqui. Meu apartamento também se tornou um estúdio. Então, a experiência não é mais a de um turista, mas a de um artista que vive na cidade.
As obras que estão na Galeria remetem à natureza. E as do Galpão, à agitação urbana. Por que escolheu esses dois caminhos?
É uma espécie de situação ambivalente na cidade, entre a natureza e o urbanismo. Eu fiz uma pintura nas paredes da Galeria, como um bosque. Então, pus algumas pequenas aquarelas nas ‘árvores’, como ‘frutos’. No Galpão, abordei minha relação de forma documental com São Paulo – as fotos em preto e branco criam um confronto com minhas pinturas.
Essas fotos são uma parceria entre você e Eduardo Ortega. Como foi isso?
Eu, como pintor, não seria capaz de fazer fotos brilhantes. Fiz as fotos com minha pequena câmera. Depois, voltei aos lugares com Eduardo, levando as fotos, e ele conseguiu esses resultados brilhantes. Elas são pedaços de minhas andanças, mas feitas por um fotógrafo profissional.
Ackermann na Galeria
Começando do pior para o melhor. Primeiro passo. Onde está a galeria? Logo de cara me deparei com uma casa branca de portas fechadas que não tem nome nem número algum. "Que ótimo!", pensei. Estou no lugar errado. Ao bater na porta descobri que não havia cometido nenhum engano. Lá estava a galeria.
A galeria encontra-se dividida em dois andares, e sem saber em qual andar estavam os trabalhos de Ackermann comecei pelo superior. Por se tratar de um lugar pequeno não fiz questão de perguntar, quis apreciar tudo que estava à disposição.
Andar superior da galeria:
Havia bastante material, 23 obras. Numa parede verde-claro bem sem graça estavam expostos alguns trabalhos que destoavam com a proposta de "natureza" da Galeria - tirando o próprio verde da parede - e tão pouco remetiam aos fortes traços do alemão em suas obras. Como não havia informação alguma ao lado dos quadros nem ninguém para me acessorar até agora não sei se são ou não do artista.
Andar inferior da galeria:
Nesse andar posso afirmar que todas as obras que lá estão são de Ackermann; é notável. São 18 obras que interagem com as paredes do lugar. Com tons de marrom e rosa ao fundo, escolhido pelo artista pra dar aquele clima de natureza, Franz expõe seus desenhos.
O que se esperar de um galpão de uma galeria de arte? Eu não sabia a resposta até entrar em um. As 34 obras de Ackermann se misturam em meio aquele amontoado de caixas com outras obras de arte sendo cuidadosamente empacotadas. Pessoas trabalhando. Diversas obras - também expostas, ou não - de vários artistas conceituados. Incrível! Afinal, é ou não o lugar ideal pra representar a agitação urbana da capital paulista?
Olha o que eu encontrei no meio da bagunça do galpão;
da dupla paulistana Osgemeos.
Voltando ao que interessa:
Onde? Galeria. Rua Fradique Coutinho, 1500. Vila Madalena T: 3032-7066
Galpão. Rua James Holland, 71. Barra Funda T: 3392-3942
Galeria Fortes Vilaça > www.fortesvilaca.com.br
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